Grain Belt Express (EUA): o megaprojeto em HVDC de 1.300 km que reforça o papel do E3X® na nova transmissão aérea de energia.
Nos Estados Unidos, o Grain Belt Express (GBX), corredor HVDC inter-regional de longa distância liderado pela Invenergy, incorpora a especificação da tecnologia E3X® da Prysmian para a totalidade dos cabos de energia do bipolo e do retorno (ACSR Bluebird E3X® 1.256 MCM), sinalizando uma tendência: inovação em materiais e desempenho térmico do condutor como alavancas reais de eficiência, confiabilidade e expansão da rede.
Na Prysmian Brasil, acompanhamos de perto a transformação das redes de transmissão no mundo — e, em especial, nos Estados Unidos, onde a agenda de reforços e novas interligações ganhou força. Essa transformação tem sido marcada por dois movimentos simultâneos: a necessidade de novos corredores e reforços estruturais e o avanço de soluções de condutores avançados para elevar a eficiência e a margem operativa. Nesse conjunto, inovações como revestimentos superficiais aplicados a cabos condutores, com impacto direto no desempenho térmico das linhas de transmissão, vêm se consolidando como uma ferramenta de engenharia, inclusive em corredores longos, com ampla variabilidade climática e alto impacto sistêmico.
O E3X® é um revestimento cerâmico fino aplicado à superfície de condutores aéreos. Ele atua diretamente no balanço térmico do condutor — elevando sua capacidade de dissipar calor (emissividade) e reduzindo o ganho térmico associado à radiação solar (absortividade). Em termos práticos, isso aumenta a margem de desempenho térmico em condições reais de operação e pode se traduzir em menor temperatura de operação para uma mesma corrente e, consequentemente, menor flecha, ou em maior margem de ampacidade sem aumento de temperatura, conforme a estratégia de projeto.
Um caso emblemático dessa evolução é o Grain Belt Express (GBX), nos EUA. Trata-se de um megaprojeto de transmissão em HVDC com aproximadamente 1.300 km, atravessando os estados do Kansas, Missouri, Illinois e Indiana, liderado pela Invenergy - desenvolvedora norte-americana de infraestrutura energética que, além de sua atuação nos EUA, mantém presença no Brasil por meio de sua divisão de serviços e de investimentos recentes em ativos eólicos no país. O empreendimento segue em implantação, com preparação para construção e execução faseada, apoiado por uma estratégia de engenharia e cadeia de fornecimento desenhada para reduzir riscos e dar previsibilidade ao cronograma.
Em dezembro de 2025, a Invenergy publicou na T&D World um amplo artigo sobre o projeto GBX. Nele, o empreendimento é caracterizado como um sistema HVDC ±600 kV bipolar incluindo mais dois condutores DMR (Dedicated Metallic Return - caminho metálico de retorno), conversoras VSC, onde fica evidente a lógica de “de-risking” técnico por meio de decisões antecipadas de engenharia, validações e planejamento de execução. Em outras palavras, é um projeto que busca construir previsibilidade desde o desenho — reduzindo incertezas antes que elas virem custo, prazo ou risco operacional.
Do ponto de vista de linhas aéreas, o artigo também ressalta atenção a fenômenos dinâmicos como wire galloping — oscilação de grande amplitude na presença de vento e gelo. Em projetos dessa escala, a governança do risco eletromecânico e aeroelástico é parte do caminho crítico: conecta-se diretamente a escolhas de condutor, cabos de guarda, critérios de projeto e à própria estratégia de execução. Quando o empreendimento assume esse nível de disciplina técnica, o condutor deixa de ser apenas “um componente” e passa a integrar a arquitetura de confiabilidade.
Essa lógica também aparece nos trechos especiais de travessia. No GBX, o E3X® também é aplicado em um cabo condutor HTLS com núcleo de carbono (HTLS = High-Temperature Low-Sag, alta temperatura e baixa flecha), especificado para a travessia do rio Missouri em um vão de aproximadamente 1.130 m (3.700 pés).

É nesse contexto que o revestimento ganha relevância. As especificações do GBX incluem o uso da tecnologia E3X® conectando a discussão de desempenho térmico do condutor a um corredor HVDC inter-regional de longa distância. O sinal é inequívoco: quando eficiência, margem térmica e previsibilidade são tratadas como atributos do projeto — e não apenas consequências — a tecnologia de revestimento especial da superfície do condutor passa a compor o pacote de engenharia de risco e desempenho.
Para o Brasil, a mensagem é direta. Nosso sistema elétrico é robusto e tem características próprias, mas enfrenta desafios que exigem evolução contínua: integração de renováveis, reforços em corredores estratégicos, metas de confiabilidade cada vez mais exigentes e atenção permanente a perdas e eficiência. Nesse cenário, tecnologias avançadas que elevam o desempenho do condutor, com viabilidade industrial e aderência a critérios claros de engenharia e operação, tendem a ganhar espaço no diálogo entre transmissoras, geradoras, empresas de planejamento e órgãos reguladores.
O Grain Belt Express ajuda a dar substância a essa pauta: o futuro da transmissão não depende apenas de construir mais, mas de construir melhor, com escolhas técnicas que ampliem eficiência, previsibilidade e resiliência. Quando um megaprojeto HVDC nos EUA incorpora o E3X® em sua concepção, ele reforça que inovação em materiais não é detalhe - é infraestrutura.
